terça-feira, 18 de março de 2008

Ilusão (Ato I, Cena IV)

Ato I, Cena III.

Toca o Telefone de Sérgio, sua poltrona agora foi deslocada para a frente do palco no centro.

Ana (entrando, no fundo, à direita do palco, na poltrona)

Sérgio? É a Ana. Liguei só pra saber como você estava. Nem deu tempo de conversar direito lá no restaurante. (Júlio vai entrando e se sentando na poltrona ao fundo do palco, à esquerda)


Júlio (sentado de costas - Sérgio vai se recompondo, assustado)

Um conhaque, por favor. (Retira papéis do bolso e começa a fazer anotações, sempre dando goles num copo imaginário)

Sérgio

Então. Tô bem... mas sabe como é. Difícil conversar em paz com o Júlio por perto. Ele quer resolver tudo de uma hora pra outra. (Ana assente com a cabeça, rindo) A gente podia conversar a qualquer hora, só nós dois, sei lá... Falar sobre a vida. Que você acha?

Ana

Sim... claro. Amanhã o Júlio vai para o Rio ver a mãe. A gente podia aproveitar par tomar um chopp, ir ao cinema...

Sérgio

Legal! Por mim, ótimo. Assim a gente não precisa falar desse filme... Eu tô empolgado, sabe? Mas preciso dar um tempo. Me concentrar em outras coisas...

Ana (Enquanto Júlio faz gestos de quem pede a conta e paga)

Entendo. Concordo com você... Até pras idéias fluírem, não é? (Júlio empurra a poltrona para longe do palco e finge chamar um taxi... Sai pela esquerda)

Sérgio

Pois é. Por aí... Seguinte: que tal amanhã no mesmo lugar?

Ana

Prefiro algo informal. Vamos comer numa lanchonete, depois a gente pega um cinema. Pode ser?

Sérgio (Com Júlio voltando e cueca, carregando a poltrona)

Por mim tudo bem. (Júlio se deita)

Ana

Só uma coisa, Sérgio: Não diz nada pro Júlio... Acho que ele está meio afim de mim... Andou dizendo umas coisas. Ele pode achar que não respeito o que ele diz. Ah! Você sabe... ele é meio estourado.

Sérgio

Tudo bem. Pode deixar... Mas não tem nada de mais. Vamos só sair pra conversar.

Ana (Rindo)

É Sérgio. É... então até amanhã. Beijos.

Sérgio (Sem entender a risada)

Beijo pra você. Até amanhã

Os dois desligam o telefone e se deitam. Agora, os três dormem. Sobe uma música lenta, embalando o sono. e aos poucos vai aumentando. Fecham-se as cortinas. Fim do Ato I.


1 Resposta(s):

Flores disse...

Olá senhor verbalizador... eu achei o máximo essa sua peça... me conta de onde tirou essa idéia?
Depois dá uma olhada no meu blog... tá saindo do forno ainda, mas... quem sabe né;...
Saudações

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